Carlos não foi promovido. O coordenador escolhido foi o Emerson, que estava há menos tempo na empresa.
— Isso é injusto — ele pensou. — Eu tenho mais tempo, mais entrega, mais histórico.
Ele passou o dia remoendo. A noite, não dormiu direito.
No dia seguinte, pediu conversar com Helena.
— Helena, queria entender o critério da promoção. Fiquei surpreso.
— Carlos, você é excelente tecnicamente. Mas a vaga pedia experiência em gestão de pessoas. O Emerson tem isso da empresa anterior.
— Eu poderia ter sido considerado.
— Sim. E você foi. Mas a decisão foi técnica, não pessoal. Não tem nada contra você.
Carlos entendeu. Não concordou totalmente, mas entendeu.
Ele voltou para sua mesa. A Mariana veio perguntar.
— Vai pedir demissão?
— Não. Vou usar isso como combustão.
Ele pediu para Helena:
— Quero um plano de desenvolvimento para chegar na próxima vaga. O que preciso aprender?
Helena montou um plano: curso de liderança, mentoria com um coordenador, exposição a projetos de gestão.
— Seis meses. Se você cumprir, estará pronto para a próxima oportunidade.
Carlos focou no plano.
— Não ser promovido não é o fim. É feedback. Pode ser injusto? Pode. Mas ficar remoendo não muda.
— Você pode escolher entre ficar amargo ou ficar preparado.
— A carreira não é uma reta. É uma escada com andares que às vezes você pula, às vezes você espera. O importante é continuar subindo.
*Continua em: 1121 — Lidar com síndrome do impostor*