A Jéssica chegou como estagiária. Nervosa, caderninho na mão, perguntando se podia anotar tudo.
— Calma, Jéssica. Não precisa anotar tudo. Pergunta quando tiver dúvida.
— É que não quero incomodar.
— Incomoda. Estagiário que não pergunta, erra escondido. Depois é mais caro consertar.
Carlos montou um plano de treinamento.
Primeira semana: ambientação. Mostrou os sistemas, as pastas, os contatos.
— Seu primeiro trabalho é me acompanhar nas reuniões. Só observa. Depois me conta o que entendeu.
Jéssica assistiu a três reuniões. No fim da semana, ela resumiu.
— Acho que o projeto X está atrasado porque a demanda mudou no meio.
— Boa observação. É exatamente isso.
Segunda semana: tarefas simples. Criar relatórios prontos, organizar planilhas, enviar e-mails padrão.
— Se tiver dúvida, pergunta. Se errar, me mostra. Não conserta escondido.
Jéssica errou um e-mail. Mandou para a pessoa errada.
— Acontece. Agora você aprendeu a verificar o destinatário antes de enviar. Erro não é problema. Erro repetido é.
Terceira semana: tarefas com mais autonomia.
— Quero que você monte a apresentação do projeto. Use os modelos que eu te mostrei. Depois a gente revisa junto.
Jéssica entregou. Tinha erros, mas estava bem feita.
— Está bom. Ajusta esses pontos e está pronto.
No fim do mês, ela já produzia sozinha.
— Treinar estagiário não é jogar na fogueira nem segurar a mão o tempo todo. É dar tarefa com suporte.
— A melhor forma de ensinar é mostrar, deixar fazer, corrigir junto e deixar fazer de novo.
*Continua em: 1115 — Como ser líder sem perder a humanidade?*