Carlos foi designado para mentorar o Matheus, um estagiário de vinte anos recém-saído da faculdade.
— A primeira coisa é não tratar ele como inferior — Carlos pensou.
No primeiro encontro, Matheus estava tímido.
— Carlos, não quero atrapalhar.
— Você não atrapalha. Aprendi uma coisa: estagiário que fica com medo de perguntar erra mais. Pergunta à vontade.
Carlos estabeleceu uma rotina.
— Toda segunda, me mostra o que fez na semana anterior. Eu te mostro como faria diferente. Não é crítica. É troca.
Na segunda semana, Matheus travou numa tarefa simples.
— Não consegui fazer a automação. O código quebrou.
— Me mostra.
Carlos olhou o código.
— Você tentou e quebrou. Ótimo. Agora vamos entender por que quebrou. Cada erro é um aprendizado.
Ele foi paciente. Explicou o conceito, mostrou exemplos, deixou Matheus tentar de novo.
— Consegui! — Matheus comemorou.
— Boa. Agora me explica como você fez.
Matheus explicou. Carlos percebeu que o aprendizado tinha sido mais profundo do que se ele tivesse dado a resposta pronta.
No fim do mês, Matheus já entregava tarefas sozinho.
— Carlos, obrigado pela paciência. Aprendi mais aqui em um mês do que no estágio anterior inteiro.
— Mentoria não é dar resposta. É fazer a pessoa chegar na resposta sozinha.
— Profissional novo não precisa de quem resolva por ele. Precisa de quem acredite que ele pode resolver.
*Continua em: 1110 — Como resolver briga entre subordinados?*