Carlos tinha um colega que o irritava profundamente. O Luciano falava alto, interrompia reuniões, tomava crédito por ideias alheias.
— Não aguento mais trabalhar com ele — Carlos desabafou com a Mariana.
— Você precisa gostar dele ou precisa trabalhar com ele?
— Trabalhar.
— Então trata como profissional. Você não precisa ser amigo. Precisa ser colega.
Carlos decidiu mudar a abordagem.
Na reunião seguinte, quando Luciano começou a falar por cima, Carlos não revidou.
— Luciano, deixa eu terminar meu ponto e depois você fala.
— Tá, fala.
Carlos terminou. Luciano falou. Depois, Carlos documentou tudo num e-mail de resumo.
— Enviei o resumo da reunião com os pontos de cada um. Fica registrado.
Ele também passou a limitar a interação ao estritamente necessário.
— Só converso sobre trabalho. Nada pessoal. Nada de corredor.
— Mas não trata com frieza. Trata com educação. Cortês, objetivo, profissional.
Com o tempo, Carlos percebeu que a raiva diminuía. Não porque Luciano mudou. Porque Carlos mudou a expectativa.
— Eu esperava que ele fosse diferente. Depois que parei de esperar, parei de sofrer.
— Trabalhar com quem você não gosta é um exercício de profissionalismo. Você não controla o outro. Controla sua reação.
— Separa a pessoa do profissional. O que importa é a entrega, não a afinidade.
*Continua em: 1108 — Como falar bem da empresa antiga mesmo sendo ruim?*