Carlos foi designado para mentorar o Osvaldo, um profissional de cinquenta e cinco anos que estava migrando de área. Osvaldo tinha trinta anos de mercado. Carlos, dez.
— Como vou mentorar alguém que viveu mais que eu? — Carlos pensou.
No primeiro encontro, Osvaldo foi direto.
— Carlos, não vou fingir que você tem mais experiência que eu. Mas reconheço que você domina ferramentas que eu não domino. Meu foco é aprender isso.
— Justo. Meu papel não é te ensinar sobre o mercado. É te ajudar com as ferramentas e a lógica atual.
Eles estabeleceram um combinado.
— Toda semana, você me mostra como usar o Power BI e eu te conto como negociei contratos grandes. Troca justa.
Carlos percebeu que não precisava ser superior para mentorar. Precisava ter algo a ensinar e humildade para reconhecer o que não sabia.
— Osvaldo, como você lidou com cliente difícil naquela época?
— Te conto uma história. Cliente queria resultado em metade do prazo. Eu chamei ele pra visita técnica. Mostrei o processo real. Ele entendeu.
— É uma abordagem que eu não teria pensado.
— E é por isso que a mentoria é boa. Você ensina uma coisa, eu ensino outra.
Carlos aprendeu que mentoria não é hierarquia. É complemento.
— Mentorar alguém mais velho não exige que você saiba mais sobre a vida. Exige que você saiba mais sobre algo específico.
— O melhor mentor não é quem sabe tudo. É quem tem algo relevante pra compartilhar.
*Continua em: 1106 — Como escolher entre dois candidatos?*