Carlos respondia mensagens do trabalho às dez da noite. No fim de semana, abria o notebook. No almoço, participava de reunião.
— Você não para nunca? — a Renata perguntou.
— Se eu não responder agora, acumula amanhã.
— Amanhã vai ter mais mensagens. E mais. Você nunca vai zerar.
Carlos começou a observar os colegas. O Carlos saía pontualmente. O Emerson não respondia depois das dezenove. E produziam bem.
— Carlos, como você consegue?
— Eu trato horário comercial como sagrado. Faço o que tenho que fazer nele. Depois, desligo.
— E se alguém manda mensagem fora do horário?
— Respondo no dia seguinte. A menos que seja emergência real. E não são.
Carlos testou. Colocou o celular no modo não perturbe depois das dezenove. Na primeira semana, deu ansiedade. Na segunda, alívio.
— Você parece mais descansado — a Mariana notou.
— Estou. Descobri que trabalho não acaba. Mas meu dia precisa acabar.
Ele também passou a reservar horário no calendário para academia, jantar com a Renata e leitura.
— Se não está no calendário, não acontece.
— E se marcarem reunião em cima?
— Eu recuso ou remarcou. Minha agenda também importa.
Equilíbrio não era sobre fazer tudo ao mesmo tempo. Era sobre escolher o que não fazer.
— Vida pessoal não é descanso do trabalho. É a vida. O trabalho é que é parte dela.
— Proteger seu tempo não é falta de compromisso. É compromisso com o que realmente importa.
*Continua em: 1102 — Como voltar para um emprego antigo?*