O gerente da outra área era famoso no escritório. Todo mundo tinha uma história. Pedidos aos gritos. Prazos irreais. Respostas curtas em e-mail com cópia para todo mundo.
Carlos precisava de uma aprovação dele para liberar um recurso do projeto. E sabia que a conversa não ia ser fácil.
— Você vai falar com ele? — um colega perguntou, o olho arregalado.
— Vou.
— Boa sorte.
Carlos respirou fundo antes de bater na sala. Lembrou do que o conselheiro de carreira disse sobre chefes difíceis:
— Chefe difícil não é necessariamente mau. Muitas vezes é pressionado. O segredo não é enfrentar. É desarmar com preparo.
Ele entrou.
— Bom dia. Preciso de cinco minutos.
O gerente olhou para ele com cara de poucos amigos.
— Fala.
Carlos foi direto. Expôs o problema, a solução e o recurso necessário. Tudo em três frases. Depois entregou um resumo por escrito.
O gerente leu. Franziu a testa.
— Por que você precisa disso?
— Porque sem ele o projeto atrasa uma semana. Com ele, a entrega fica dentro do prazo.
O gerente encarou Carlos por um longo segundo.
— Tá certo.
Carlos quase não acreditou.
— Pode pegar o recurso. Mas o prazo não muda.
— Combinado.
Carlos saiu da sala com a aprovação na mão. No corredor, o colega que torceu por ele balançou a cabeça, incrédulo.
— Como você conseguiu?
— Fui direto, entreguei o papel, não rodei — Carlos disse.
Não era sobre o chefe ser difícil. Era sobre não deixar o medo tomar o lugar do preparo.
*Continua em: 111 — Como lidar com fofoca no trabalho?*