Carlos pediu demissão. Mas o aviso era de trinta dias. E ele precisava treinar quem ia ocupar o lugar dele.
— Não vou fazer corpo mole — ele decidiu.
No primeiro dia, ele listou tudo que fazia. Processos, contatos, prazos, documentos.
Depois, organizou por prioridade: o que o substituto precisava saber no primeiro dia, na primeira semana, no primeiro mês.
O substituto era um analista novo, chamado Rafael.
— Vamos fazer assim: manhã de acompanhamento, tarde de mão na massa. Toda sexta, revisão.
Rafael fazia perguntas. Carlos respondia.
— Esse relatório vai para quem?
— Para o Carlos. Ele gosta de dados, não de texto. Coloca números primeiro.
Carlos gravou vídeos curtos explicando processos complexos. Criou um documento com senhas e acessos.
Na última semana, Rafael já fazia quase tudo sozinho.
— Você deixou tudo fácil — Rafael disse.
— Se eu fizer bem, você não precisa me ligar depois que eu sair. E eu não quero ser lembrado como o cara que abandonou o barco.
Treinar substituto é sobre responsabilidade com quem fica.
*Continua em: 1099 — Como adaptar currículo para cada vaga?*