Carlos voltou de licença médica. Trinta dias afastado por burnout. O corpo estava melhor, mas a cabeça ainda pesava.
Na primeira manhã, ele abriu o e-mail. Duzentas mensagens. Trinta reuniões perdidas. Dois projetos novos.
— Respira — ele disse para si mesmo.
Em vez de tentar abraçar tudo, ele fez uma coisa de cada vez.
Mandou uma mensagem para o chefe: "Estou de volta. Podemos alinhar prioridades?"
O chefe respondeu: "Vamos com calma. Primeira semana é adaptação."
Carlos pediu um resumo do que aconteceu. Leu em vez de participar de reuniões.
Na primeira reunião presencial, ele falou pouco. Ouviu muito.
— Carlos, você está estranho — a Mariana percebeu.
— Estou me readaptando. Aprendendo a não explodir por tudo.
Ele estabeleceu limites. Não respondia mensagem depois das dezenove horas. Fazia pausas a cada duas horas. Saiu no horário.
Em duas semanas, ele já rendia como antes. Mas sem o desgaste.
— Voltar de licença não é provar que você está bem. É aprender a trabalhar sem se destruir.
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