O notebook travou de novo no meio da reunião. Carlos reiniciou, o rosto no reflexo da tela preta. Aquela máquina já tinha quatro anos. A bateria durava uma hora e meia. O som do cooler parecia um secador de cabelo.
Ele precisava de um novo. Mas pedir equipamento para o chefe sempre parecia um pedido menor. Como se ele estivesse reclamando de luxo.
Na sessão com o conselheiro de carreira, ele trouxe o assunto:
— Eu não quero parecer mimado.
— Mimado é quem pede sem justificativa — o conselheiro respondeu. — Você não está pedindo um brinquedo. Está pedindo ferramenta. Ferramenta inadequada reduz produtividade. Apresente o cálculo.
Carlos preparou os números.
No dia seguinte, ele pediu cinco minutos com Carlos.
— Carlos, meu notebook está comprometendo a entrega. Ele trava em reunião, a bateria não acompanha o expediente, e eu perco em média quarenta minutos por dia com reinicialização.
Carlos ouviu.
— Você já falou com o TI?
— Falei. Eles confirmaram que o modelo está fora da política de substituição. Mas a fila de prioridade depende de autorização da gerência.
Carlos entregou um papel.
— Aqui está o impacto estimado em horas perdidas no último mês. E o custo de um notebook novo versus o custo das horas perdidas. O investimento se paga em dois meses.
Carlos leu. Dobrou o papel.
— Manda o TI abrir o chamado com prioridade. Eu autorizo.
— Obrigado.
No dia seguinte, o notebook novo chegou. Carlos ligou a máquina e, pela primeira vez em meses, o cooler não fez barulho.
*Continua em: 109 — Como se relacionar com um colega de trabalho?*