Como tirar férias sem culpa?

Carlos

Carlos estava na praia, mas o celular estava na mão. Ele checava e-mails na areia. Respondia mensagens entre um mergulho e outro.

— Você está trabalhando ou descansando? — a Mariana perguntou.

— Os dois.

— Não funciona assim.

Carlos sabia que ela tinha razão. Mas sentia culpa de desligar. Culpa de não responder.

— Se eu desligar, as coisas param.

— E se você não desligar, você nunca descansa.

Ele decidiu fazer um teste.

— Configurou resposta automática: "Estou de férias até o dia X. Em caso de urgência real, contatar [nome]. Fora isso, respondo no retorno."

— Desativou notificações do trabalho.

— Apagou os atalhos dos apps de trabalho da tela inicial.

— Guardou o notebook na mala. Nem abriu.

No segundo dia, a ansiedade passou. No terceiro, ele esqueceu do trabalho.

Voltou descansado. Produtivo.

— Ninguém morreu. Nenhuma crise aconteceu. O mundo não acabou.

— A culpa era ilusão de importância. O trabalho sobrevive sem você por alguns dias.

Carlos entendeu que férias de verdade não são sobre viajar. São sobre desligar.

*Continua em: 1078 — Como se readaptar ao trabalho após licença?*