Carlos tinha que preencher cento e cinquante linhas de planilha. Mesmo tipo de dado. Mesma fórmula. Mesma tela.
Na décima linha, a atenção já tinha ido embora. Na trigésima, ele errou uma célula. Na quinquagésima, apagou a coluna errada.
— Trabalho repetitivo é inimigo do foco — ele disse ao Carlos.
— Você precisa de um estímulo externo.
Carlos testou:
— Colocar uma playlist sem letra. Música instrumental.
— Usar a técnica de lote: cinquenta linhas, pausa, cinquenta linhas, pausa.
— Criar um jogo: bater o tempo da última leva.
— Cada lote de cinquenta linhas era uma meta. Ele cronometrava.
— Se batia o recorde, fazia uma pausa maior.
O que era tédio virou desafio.
— O cérebro não gosta de repetição. Mas gosta de jogo. Gosta de meta.
— Transformar tarefa chata em jogo salvou meu foco.
Em duas horas, a planilha ficou pronta. Sem erros.
— Não é sobre gostar do trabalho repetitivo. É sobre criar condições para fazê-lo bem.
*Continua em: 1073 — Como equilibrar vários projetos ao mesmo tempo?*