Carlos esperou o ciclo de avaliação fechar. Não adiantava pedir revisão salarial fora da época certa. O conselheiro de carreira tinha sido claro: timing é tão importante quanto argumento.
Quando o e-mail da avaliação de desempenho chegou, Carlos abriu no mesmo instante. Leu duas vezes. A nota era boa. Acima da média.
Ele marcou uma reunião com Carlos.
— Posso falar sobre minha remuneração?
— Pode — Carlos respondeu, direto.
Carlos sentou e abriu a pasta que preparou. Não era só uma pasta. Era um dossiê.
— Na última avaliação, minha nota ficou acima da média. Eu entreguei três projetos que reduziram custo operacional — Carlos folheou os papéis. — Aqui estão os números. A média de redução foi onze por cento.
Carlos pegou os papéis e leu.
— E o que você está pedindo?
— Uma revisão salarial. Não um aumento arbitrário. Uma revisão com base no mercado. Eu pesquisei a faixa salarial para a minha função na região. Estou abaixo da média há dois anos.
Ele entregou uma planilha com os dados de mercado.
Carlos olhou a planilha. Depois olhou para Carlos.
— Você pesquisou isso?
— Pesquisei.
Carlos apoiou a caneta na mesa.
— Vou levar para o RH. Não prometo resposta esta semana. Mas o pedido está registrado.
— Obrigado.
Carlos saiu da sala sem saber se ia conseguir. Mas sabia que tinha feito o melhor possível. Dados na mão, respeito na voz, e o pedido claro.
Duas semanas depois, o RH aprovou a revisão.
*Continua em: 108 — Como conversar sobre equipamento de trabalho com o chefe?*