Carlos sabia que precisava escrever o relatório. Abriu o documento. Fechou. Abriu o WhatsApp. Respondeu três mensagens. Abriu o e-mail. Leu um boletim. Abriu o navegador. Viu o noticiário.
Quarenta minutos depois, o relatório continuava em branco.
— Toda vez a mesma coisa — ele suspirou.
— O que você sente quando pensa no relatório? — a Mariana perguntou.
— Cansaço. Parece grande demais.
— É isso. Você não procrastina por preguiça. Procrastina porque a tarefa parece maior do que é.
Carlos aplicou a regra dos dois minutos.
— Faço por dois minutos. Só dois minutos. Depois posso parar.
Ele abriu o relatório e escreveu o título. Só o título.
Depois escreveu uma frase.
Depois mais uma.
Em cinco minutos, já estava escrevendo o segundo parágrafo.
— O mais difícil é começar — ele percebeu. — Depois que começa, continua.
Ele também passou a quebrar tarefas grandes em pedaços pequenos.
— Relatório completo — assustador. Escrever introdução — ok.
— Revisar dados — ok. Criar gráfico — ok.
— Cada pedaço é um começo fácil.
A procrastinação diminuiu. Não porque ele se forçou. Mas porque tornou o começo mais leve.
*Continua em: 1070 — Como lidar com cansaço mental no trabalho?*