Faltavam três dias para o prazo final e Carlos não tinha recebido a parte do relatório que o colega da equipe de TI tinha prometido entregar na sexta passada.
Ele olhou para o chat. A última mensagem do colega era de quinta: "Tô terminando, semana que vem te mando."
Semana que vem era agora. E nada.
Carlos já tinha mandado duas mensagens. Uma na segunda. Outra na terça. As duas educadas. As duas sem resposta.
A terceira ia ser difícil.
Ele lembrou do que o conselheiro de carreira falou quando Carlos reclamou de um colega que não entregava:
— Você cobra ou você ajuda? Se você só cobra, vira fiscal. Se você ajuda, vira parceiro.
Carlos reformulou a mensagem.
Em vez de "Você vai entregar hoje?", ele escreveu:
— Oi [colega], tô finalizando o relatório e percebi que preciso da sua parte pra fechar. Tem algum pedaço que eu posso ajudar a terminar? Se precisar de apoio com os dados, me fala que a gente resolve junto.
O colega respondeu em cinco minutos.
— Verdade, atrasou aqui. A planilha de métricas tá pronta, falta o texto de análise. Se você puder escrever a parte de conclusão com base nos números, eu termino o resto até amanhã.
— Fechado.
Carlos escreveu a conclusão em duas horas. No dia seguinte, o colega entregou o restante. O relatório fechou no prazo.
A pressão sumiu quando a cobrança virou parceria.
*Continua em: 107 — Como pedir ao chefe revisão salarial?*