Como dar autonomia para um júnior?

Carlos

Carlos estava acostumado a revisar cada linha do código do Pedro. Até que um dia ele percebeu que isso atrasava os dois.

— Pedro, vou mudar a forma de trabalhar.

— Como assim?

— Você vai começar a tomar decisões sozinho. Eu não vou mais revisar tudo.

Pedro ficou inseguro.

— E se eu errar?

— Você vai errar. Faz parte. Mas errar sob supervisão é melhor que errar sozinho.

Carlos estabeleceu as regras da autonomia.

— Primeiro: você decide como resolver a tarefa. Segundo: se a tarefa for simples, executa e me conta depois. Terceiro: se for complexa, você propõe a solução e eu só valido antes de executar.

— Qual o limite do que é simples?

— Até duas horas de trabalho. Acima disso, você me consulta antes.

Na primeira semana, Pedro tomou decisões sozinho. Algumas certas, outras não tão boas.

— Pedro, por que você escolheu essa biblioteca?

— Porque é a mais usada.

— Boa. Mas verifica se ela tem suporte de longo prazo. Biblioteca muito nova pode parar de ser mantida.

— Entendi.

Carlos percebeu que revisar menos não significava abandonar. Significava dar espaço pro Pedro crescer.

— Se eu revisar tudo, ele nunca aprende a decidir — Carlos pensou.

Depois de um mês, Pedro já resolvia tarefas sem supervisão.

— Carlos, implementei a funcionalidade. Pode revisar?

— Reviso. Mas confio que você fez bem feito.

Pedro sentiu a responsabilidade.

— Saber que alguém confia faz a gente se dedicar mais — Pedro disse.

— Autonomia não se dá de uma vez. Se dá aos poucos, com limites claros, e aumenta conforme a confiança cresce.

*Continua em: 1056 — Como lidar com júnior que pergunta sem tentar antes?*