Carlos abriu a apresentação que o colega tinha compartilhado no drive. Ele ia revisar os slides antes da reunião com o cliente. Mas quando chegou no terceiro slide, parou.
Os gráficos. As análises. A estrutura do texto. Era o trabalho dele.
Carlos passou o mouse sobre os elementos. Cópia exata. O colega tinha pegado a planilha que Carlos passou duas semanas construindo e colocado no nome dele.
O sangue subiu. A primeira vontade foi de responder o e-mail com cópia para todo mundo. Mas ele fechou o laptop e respirou.
No dia seguinte, ele chamou o colega para um café.
— Vamos ali na copa?
O colega foi, desconfiado.
Na copa, Carlos apoiou as mãos no balcão e falou:
— Eu vi a apresentação que você subiu no drive.
O colega desviou o olhar.
— Eu usei sua planilha como referência.
— Você usou a planilha inteira. Colocou seu nome nos gráficos que eu construí.
Silêncio.
— Eu não ia entregar assim — o colega disse, a voz baixa. — Ia adaptar.
— Mas adaptou não. Entregou igual.
O colega olhou para o chão.
Carlos respirou fundo. Lembrou do que o conselheiro disse: a conversa não é para humilhar. É para resolver.
— Na próxima, me avisa antes. E coloca meu nome também. Trabalho em conjunto é conjunto.
— Tá certo. Desculpa.
Carlos tomou um gole de café. A conversa não tinha sido fácil. Mas tinha sido honesta.
No fim da tarde, o colega atualizou a apresentação. Adicionou Carlos como coautor.
*Continua em: 106 — Como perguntar ao colega sobre data de entrega?*