Carlos estava a dois anos da aposentadoria. A diretora chamou ele pra uma conversa.
— Carlos, você é a pessoa que mais conhece os processos da empresa. Quando você sair, esse conhecimento vai embora com você.
— O que você sugere?
— Quero que você prepare seu sucessor.
Carlos nunca tinha pensado nisso. Ele escolheu a Marina, uma analista com três anos de casa.
— Marina, vou te passar tudo que eu sei. Mas não vai ser de uma vez.
Ele criou um plano de transferência de conhecimento.
— Primeiro mês: você me acompanha em todas as reuniões e anota os processos.
— Segundo mês: você executa algumas tarefas com supervisão.
— Terceiro mês: você assume as tarefas e eu reviso.
— Quarto mês: você faz sozinha e me chama só se travar.
Marina aceitou.
No começo, ela tomava notas de tudo. Carlos explicava não só o que fazer, mas por que fazia daquele jeito.
— Esse relatório precisa ser gerado até dia cinco porque o conselho se reúne no dia dez.
— Entendi. Não é burocracia. É prazo de decisão.
Em três meses, Marina já executava a maioria das tarefas sozinha.
— E os contatos? — ela perguntou.
— Boa pergunta. Vou te apresentar um por um.
Carlos apresentou Marina aos fornecedores, clientes internos e parceiros.
— Esse é o Jorge, do financeiro. Ele é rigoroso com prazos. Se você atrasar, perde credibilidade.
— Esse é a Célia, do jurídico. Ela gosta de documentos organizados. Tudo que você mandar pra ela, revisa antes.
Seis meses antes da aposentadoria, Marina já assumia o posto.
— Você foi um bom mentor — ela disse.
— Sucessão não é entregar o cargo. É garantir que o trabalho continue depois de você.
*Continua em: 1050 — Como lidar com subordinado que desrespeita autoridade?*