O e-mail chegou numa quarta à tarde. Carlos tinha aprovado uma mudança no cronograma que Carlos sabia que não ia funcionar. A equipe estava sobrecarregada. O novo prazo era inviável.
Carlos bateu na porta da sala do Carlos. O coração batendo no peito.
— Pode entrar.
Ele sentou na cadeira em frente à mesa. Carlos olhou para ele por cima do monitor.
— Fala.
Carlos ensaiou mentalmente o que o conselheiro de carreira disse na última conversa: confronto não é sobre quem está certo. É sobre colocar o problema na mesa para resolver junto.
— Carlos, eu vi o novo cronograma. E eu queria conversar sobre ele.
— O que tem?
Carlos abriu o bloco.
— O prazo de entrega do relatório de custos ficou para a mesma semana da auditoria interna. A equipe de operações não vai conseguir fazer os dois ao mesmo tempo com qualidade.
Carlos franziu a testa.
— Você acha que não dá?
— Eu sei que não dá — Carlos disse, a voz firme. — Trabalhei nesses dois processos. Um compromete o outro.
Ele colocou o bloco na mesa, virado para Carlos.
— Eu sugiro adiar o relatório em uma semana e antecipar a revisão dos dados que a auditoria vai pedir. A gente ganha tempo sem perder qualidade.
Carlos leu a anotação. Ficou em silêncio por alguns segundos.
— Certo. Vamos do seu jeito.
Carlos piscou.
— Como?
— Você veio com argumento, dado e solução. Não tenho o que contestar. Da próxima vez, vem antes — Carlos disse, e voltou para o monitor.
Carlos saiu da sala com a respiração mais leve. Confrontar não era sobre gritar. Era sobre preparo.
*Continua em: 105 — Como falar com colega sobre plágio em trabalho conjunto?*