A reunião começou com o gerente pedindo ideias para o novo fluxo de logística. Carlos ouviu a colega — uma mulher da equipe de operações — começar a explicar uma sugestão que ela tinha preparado.
Ela falou por trinta segundos. O gerente não respondeu. Um colega homem interrompeu:
— É tipo o que a gente fez no projeto passado?
A colega tentou retomar: — Na verdade, é diferente porque...
O colega continuou falando como se ela não tivesse aberto a boca.
Carlos viu. Não era a primeira vez. Nas reuniões anteriores, a mesma colega era interrompida, ignorada, ou suas ideias apareciam na boca de outro na semana seguinte.
Dessa vez, Carlos respirou fundo.
— Desculpa interromper — ele disse, virando para o colega. — A [colega] não terminou a ideia dela. Eu queria ouvir o resto.
A sala ficou em silêncio por um segundo.
A colega olhou para ele, surpresa. Depois retomou:
— Obrigada. Então, como eu ia dizendo, o fluxo novo podia ser...
Ela terminou. O gerente anotou. A ideia era boa.
No fim da reunião, a colega parou Carlos no corredor.
— Valeu lá dentro. Isso acontece direto.
— Eu percebi — Carlos disse.
Ela balançou a cabeça.
— A maioria não percebe. Ou percebe e não fala.
Carlos não sabia o que responder, então só disse:
— Da próxima eu falo de novo.
Ela sorriu.
No caminho de volta para a mesa, Carlos pensou que apoiar uma colega não era sobre ser herói. Era sobre perceber o que já estava na frente de todo mundo e não deixar passar.
*Continua em: 104 — Como confrontar o chefe de forma respeitosa?*