Vinte e duas horas. O celular vibrou na mesa de cabeceira. Carlos olhou: Carlos.
Não era uma emergência. Era uma dúvida sobre o relatório do dia seguinte.
Carlos respondeu. Mas depois ficou olhando pro teto.
Não era a primeira vez. O Carlos não fazia por mal, mas mandava mensagem em qualquer horário. E Carlos respondia sempre.
— Você não é obrigado a responder de madrugada — Luísa disse, do lado.
— Mas se eu não responder, ele vai achar que...
— Que você dorme? — ela completou.
No dia seguinte, Carlos pediu um minuto com o Carlos.
— Carlos, tudo bem?
— Tudo.
— É sobre as mensagens de WhatsApp. Eu respondo sempre, mas tô percebendo que tô disponível a qualquer hora. E isso tá afetando meu descanso.
Carlos franziu a testa.
— Você quer que eu pare de mandar?
— Não. É que depois das vinte horas, se não for emergência, eu vou responder só no dia seguinte. Combinar isso evita que eu fique ansioso e que você espere resposta.
Carlos pensou.
— Justo. Se for urgente, eu ligo.
— Perfeito.
Carlos saiu da sala aliviado. Não tinha sido uma reclamação. Tinha sido um combinado. E o Carlos respeitou.
Desde aquele dia, as mensagens depois das vinte diminuíram. E quando chegavam, Carlos deixava pra responder no café da manhã.
*Continua em: 101 — Alinhar expectativas com chefe*