A carta de demissão estava na gaveta fazia três dias. Carlos passava a mão no envelope todas as manhãs, mas não levava.
A oportunidade era boa. Outra empresa, cargo melhor, salário maior. Ele já tinha decidido. Só faltava comunicar.
Na quinta-feira, ele respirou fundo e foi.
— Carlos, preciso conversar.
— Pode sentar.
Carlos sentou. Colocou o envelope na mesa, entre os dois.
— Estou pedindo demissão.
Carlos olhou para o envelope. Não abriu.
— Por quê?
— Recebi uma proposta que não posso recusar. É um passo na carreira que eu quero.
— O que é?
Carlos contou. Nova empresa. Cargo de coordenação. Salário maior.
Carlos ouviu. Ajustou os óculos.
— Você já aceitou?
— Já.
— Então não tem o que fazer. Me entrega o pedido formal e a gente alinha o aviso.
— Quero ajudar na transição. Posso ficar o tempo que precisar.
— Quinze dias. Passa o que sabe pro time.
— Combinado.
Carlos esperou uma reação negativa. Mas o Carlos só assentiu.
— Você fez certo. Cresceu aqui. Hora de crescer lá.
— Obrigado por tudo, Carlos. De verdade.
— Vai com Deus.
Carlos saiu com o peso do envelope nas costas. Mas também com a sensação de que tinha feito direito: pessoalmente, com respeito, com gratidão.
*Continua em: 097 — Como manter contato com ex-chefes?*