A dor nas costas tinha começado há três semanas. Carlos ignorou as primeiras duas. Na terceira, ele não conseguia ficar sentado por mais de uma hora sem desconforto.
O médico diagnosticou: hérnia de disco leve. Nada cirúrgico. Mas precisava de pausas ao longo do dia.
Carlos passou dois dias sem saber como contar para o Carlos.
— E se ele achar que é frescura? — ele perguntou pra Luísa, em casa.
— E se ele não achar? — ela respondeu.
No dia seguinte, ele bateu na sala.
— Carlos, preciso contar uma coisa.
— Pode falar.
— Tive um diagnóstico de hérnia de disco. Nada grave, mas preciso fazer pausas de cinco minutos a cada hora pra levantar e alongar. Não quero que pareça que tô enrolando. É uma necessidade médica.
Carlos escutou sem interromper.
— Você precisa de equipamento diferente? Cadeira? Mesa?
— Por enquanto não. Só a pausa.
— Ok. Faz as pausas. Se precisar de algo, me avisa.
— Obrigado.
— Não precisa agradecer. Saúde é prioridade.
Carlos saiu da sala surpreso com a simplicidade da conversa. Ele tinha criado um monstro na cabeça. Na prática, o Carlos tratou como o que era: uma questão de saúde. Direta. Sem drama.
*Continua em: 094 — Como pedir conselho ao chefe?*