Carlos olhou para o relógio. Vinte e uma e trinta. de novo. A terceira noite seguida que ele saía depois das nove.
Ele guardou o notebook na mochila e olhou para a sala do Carlos. A luz ainda estava acesa.
No dia seguinte, ele pediu para conversar.
— Carlos, preciso falar sobre a carga horária.
— Fala.
— Tô saindo depois das nove há três dias seguidos. Na semana passada foram quatro dias assim. Eu sei que tem demanda, mas não tô conseguindo manter esse ritmo.
Carlos apoiou a caneta.
— Você tá entregando tudo?
— Tô. Mas to no limite. E não quero que a qualidade caia.
— O que você propõe?
— Duas coisas. Primeiro: priorizar junto com você o que é realmente urgente. Segundo: se algo pode esperar, a gente empurra. Eu faço hora extra quando precisa, mas não toda semana.
Carlos folheou a agenda.
— Você tem razão. Eu não percebi a frequência. Vamos fazer assim: me mostra as pendências no final do dia e a gente decide o que fica pro outro dia.
— Combinado.
Carlos saiu da sala sabendo que a conversa tinha sido necessária. Não era reclamar. Era cuidar do próprio limite. Se ele não falasse, ninguém ia perceber.
*Continua em: 093 — Como conversar com chefe sobre limitações de saúde?*