— O projeto foi um sucesso por causa da nova estratégia de análise — o gerente disse, na reunião geral.
Carlos ouviu da cadeira dele, no canto da sala. A estratégia de análise tinha sido ideia dele. Ele quem montou. Ele quem apresentou. Ele quem implementou.
E o gerente falava como se tivesse sido dele.
A colega ao lado olhou para ele. Carlos mordeu o lábio. Não disse nada na hora.
Depois da reunião, ele ficou na mesa, remoendo.
— Você vai deixar assim? — a colega perguntou.
— Não sei. Não quero fazer um barraco.
— Barraco é diferente de posicionamento.
Carlos pensou no dia inteiro. No dia seguinte, pediu uma conversa com o gerente.
— Sobre a reunião de ontem — ele começou. — Fico feliz que o projeto foi reconhecido. Mas queria alinhar uma coisa.
— O quê?
— A estratégia de análise foi minha. O planejamento, a execução, a apresentação. Fui eu que fiz.
O gerente apertou os lábios.
— Você tá dizendo que eu tomei seu crédito?
— Tô dizendo que na reunião ficou parecendo que foi sua ideia. E não foi.
Silêncio.
— O que você quer?
— Reconhecimento. Não precisa ser público, mas quero que fique registrado que fui eu. E da próxima, que meu nome apareça.
O gerente concordou, meio sem graça.
— Combinado.
Carlos saiu. Não foi uma briga. Foi um ajuste. E ele aprendeu: esperar que reconheçam seu trabalho não funciona. Pedir, sim.
*Continua em: 091 — Como negociar prazo com o chefe?*