Carlos estava olhando para o slide há vinte minutos. A apresentação estava pronta, mas ele não tinha certeza se a mensagem principal estava clara.
Ele virou a cadeira.
— Oi, você tem um minuto pra olhar uma coisa?
A colega do lado, que mexia num relatório, ergueu os olhos.
— Claro. O que é?
— Eu terminei a apresentação pro cliente. Mas não tô confiante na parte dos indicadores. Queria saber se outra pessoa entende do mesmo jeito que eu.
Ele virou o notebook para ela. Mostrou o slide dos resultados.
A colega leu em silêncio.
— Acho que o título não ajuda. Você colocou "Resultados do Trimestre", mas o dado principal é a redução de custo. Se o título fosse "Redução de Custos — Resultados", a pessoa já entra no slide sabendo o que olhar.
Carlos anotou.
— Boa.
— E esse gráfico — ela apontou — tá bonito, mas difícil de ler rápido. Se fosse uma barra simples, pegava mais.
— Faz sentido.
Ele fez as alterações na hora. Quando terminou, a apresentação estava melhor.
— Valeu mesmo.
— Nada. Quando precisar de outra opinião, é só chamar.
Carlos fechou o notebook. Pedir opinião não era fraqueza. Era inteligência. Ninguém entrega trabalho perfeito sozinho.
*Continua em: 089 — Como pedir desculpa para o chefe?*