Carlos percebeu o erro às três da tarde. O arquivo enviado para o cliente tinha um anexo errado. A planilha certa era a versão de novembro, não a de outubro.
O cliente era o maior do trimestre.
O coração dele acelerou. A primeira ideia foi corrigir rápido, enviar de novo, fingir que nada aconteceu. Mas se o cliente já tivesse aberto?
Ele levantou da cadeira. Andou até a sala do Carlos. Parou na porta.
— Carlos, fiz uma cagada.
Carlos olhou do computador.
— Que cagada?
— Enviei a planilha errada pro cliente. A de outubro no lugar da de novembro.
— Ele já abriu?
— Não sei. Mas preciso te contar antes de tentar consertar sozinho.
Carlos apoiou a caneta.
— O que você já fez?
— Nada. Percebi agora e vim direto.
— Certo. O que a gente precisa saber: qual a diferença entre as duas planilhas?
— A de outubro tem valores diferentes nos fretes. Uns trinta reais a menos em algumas linhas. Nada absurdo, mas é outro dado.
Carlos pensou por um segundo.
— Manda um e-mail agora pro cliente. Assume o erro, explica que a versão correta é a de novembro, e anexa a certa. Me copia.
— Só isso?
— Só. Erro a gente corrige rápido. O problema não é errar. É esconder.
Carlos voltou para a mesa e escreveu o e-mail. Leu três vezes antes de enviar. Quando apertou enviar, o peito ainda apertava. Mas menos.
*Continua em: 086 — Como apoiar colega negro no trabalho?*