O café estava morno. Mas Carlos não percebeu. Ele estava distraído, olhando para a tela sem ver nada.
— Você tá voando hoje — a colega da mesa ao lado disse, a voz puxando ele de volta.
— Tô pensando numa coisa.
Ela sorriu. O sorriso que ele já conhecia. Duas semanas que eles almoçavam juntos. Três semanas que ele notava que ela usava o mesmo perfume.
O problema: ela trabalhava no mesmo andar.
Carlos tomou coragem na sexta-feira. No final do expediente, ele parou perto da mesa dela.
— Oi. Tem um minuto?
— Claro.
Ele sentou na cadeira vazia ao lado.
— Eu queria ser sincero com você. Tenho sentido uma coisa diferente quando a gente conversa. Mas não sei se é recíproco, e também não sei como lidar com isso aqui no trabalho.
A colega apoiou o queixo na mão.
— Você tá sendo direto. Gosto disso.
— É que... eu não quero que fique estranho. A gente trabalha junto.
— Fica estranho se a gente tratar como segredo. Se for claro, fica mais leve.
Carlos respirou.
— Então vamos ser claros.
Ela confirmou com a cabeça.
— Vamos.
No dia seguinte, o assunto não dominou o corredor. Mas também não pesava nos ombros deles. Estava dito. O que viesse dali, viria com os dois sabendo.
*Continua em: 085 — Como reportar um erro para o chefe?*