— Carlos, pode vir aqui?
A voz do Carlos veio da porta da sala. Carlos levantou os olhos do relatório. O tom era diferente. Mais curto.
Ele foi.
Carlos fechou a porta atrás dele. Carlos sentou. O ar mudou.
— O relatório que você entregou ontem — Carlos começou, ajeitando os óculos — tem problemas.
Carlos sentiu o estômago apertar. A primeira reação foi explicar. Dizer que o prazo estava curto, que ele fez o que deu, que os dados estavam bagunçados.
Mas ele segurou.
— Quais problemas? — perguntou.
Carlos virou o monitor.
— Aqui, na seção de custos. Os números não batem com a planilha do financeiro. E aqui, no resumo executivo, a conclusão não reflete os dados.
Carlos olhou. Era verdade.
— Entendi.
— Você teve tempo pra revisar?
— Tive. Fiz correndo no final do dia.
— Então o problema não é o relatório. É como você usou o tempo.
Carlos engoliu seco. A crítica tinha mudado de lugar. Não era sobre o documento. Era sobre ele.
— Você tem razão — ele disse.
Carlos esperou.
— O que você vai fazer diferente?
Carlos pensou.
— Revisar antes de entregar. E separar a última hora do dia só pra isso.
— Ok. Corrige o relatório até amanhã.
— Vou corrigir.
Carlos voltou para a mesa. O relatório doía na mão. Mas doeria menos do que se ele tivesse discutido.
*Continua em: 083 — Como ser honesto com o chefe sem ser rude?*