— Como que faz uma carta de apresentação? — Carlos perguntou, o celular na mão com um anúncio de vaga aberto.
— Depende — o conselheiro disse. — É pra vaga específica ou é carta genérica?
— Específica.
— Boa. Carta genérica não funciona.
O conselheiro pegou o bloco.
— Me conta: o que a vaga pede?
— Analista de Operações Sênior. Gestão de equipe, indicadores, melhoria contínua.
— E o que você tem disso?
— Tenho os indicadores. Tenho melhoria contínua. Gestão de equipe eu fiz informalmente, mas nunca tive o cargo.
— Então a carta não é sobre o que você já é. É sobre o que você pode ser.
— Como assim?
— Você não escreve "eu sou gerente de equipe". Você escreve "liderei equipes em projetos específicos e entreguei resultado".
O conselheiro virou o bloco.
— Regra de ouro da carta de apresentação: não repete o currículo. A carta é o resumo do que você quer que eles notem.
— O que eu coloco?
— Três parágrafos. Primeiro: quem você é e por que se interessou pela vaga. Segundo: sua experiência mais relevante pra vaga. Terceiro: por que você quer trabalhar lá.
— Parece simples.
— É simples. Difícil é fazer simples com conteúdo.
Carlos escreveu o esquema no bloco.
— Depois que eu fizer, você lê?
— Leio. Manda antes de enviar.
— Combinado.
Carlos saiu da sessão sentindo que a carta não seria mais um bicho de sete cabeças.
*Continua em: 040 — Como falar com conselheiro sobre dúvida entre duas áreas?*