Carlos chegou na sessão com o bloco aberto na página onde ele tinha escrito um rascunho de plano. Três cursos. Duas certificações. Uma pós. Tudo em dois anos.
— Quero montar um plano de carreira acadêmica — ele disse, empurrando o bloco pro conselheiro.
O conselheiro leu. Leu de novo. E devolveu.
— Isso é uma lista de compras, não é um plano.
— Como assim?
— Plano não é o que você quer fazer. Plano é como você vai fazer sem se destruir.
Ele pegou o bloco de volta e desenhou uma linha do tempo.
— No primeiro ano, o curso de Python.
— Só um curso no primeiro ano?
— Você trabalha. Tem filho. Tem casamento. Tem imprevistos. Se você colocar três cursos no primeiro ano, no terceiro mês você já travou.
Carlos olhou para a linha do tempo.
— E a pós?
— A pós fica pro segundo ano. Por dois motivos: primeiro, porque você precisa do curso de Python pra entrar na pós com base. Segundo, porque financeiramente você precisa se organizar.
— Eu posso parcelar.
— Parcelar não é planejar.
O conselheiro entregou o bloco de volta.
— Vamos fazer diferente. Você volta pra casa e separa o que é essencial do que é acessório. Na próxima sessão, a gente monta um plano de três anos, não de dois.
Carlos olhou para a linha do tempo desenhada.
Três anos parecia muito. Mas desistir no meio do caminho parecia pior.
— Combinado — ele disse.
*Continua em: 037 — Como falar com conselheiro sobre empreendedorismo universitário?*