Carlos estava visivelmente cansado quando entrou na sala. Olheiras. Cabelo mais bagunçado que o normal. A caneca de café na mão tremia levemente.
— Semana pesada? — o conselheiro perguntou.
— Tô fazendo um curso online. Duas aulas por semana. Mais os exercícios. Mais o trabalho. Mais a vida.
— E como tá sendo?
— Uma loucura. Chego em casa, janto correndo, abro o notebook, e quando vejo já é meia-noite.
O conselheiro inclinou o corpo para frente.
— Você quer meu conselho ou quer só desabafar?
— Os dois.
— Então vamos começar pelo desabafo.
Carlos contou. A pressão no trabalho, o cansaço acumulado, a sensação de que não dava conta de nada direito.
Quando terminou, o conselheiro falou:
— Você tá tratando estudo como se fosse mais um trabalho.
— E não é?
— Não. Estudo é investimento. Trabalho é produção. Um te desgasta, o outro te constrói. Se os dois tão te desgastando, alguma coisa tá errada.
Carlos franziu a testa.
— O que eu faço?
— Reduz a carga. Um curso não precisa ser terminado em três meses. Pode ser em seis. A pressa é inimiga do aprendizado.
— E se eu esquecer o que aprendi?
— Você não esquece. O que é importante fica. O que não é, não precisava estar ali.
Carlos respirou fundo. A ideia de desacelerar parecia estranha. Mas acolhedora.
*Continua em: 034 — Como perguntar ao conselheiro sobre pós-graduação recomendada?*