Carlos estava no meio da sessão quando uma dúvida antiga voltou.
— Você aplica teste vocacional? — ele perguntou.
O conselheiro levantou a sobrancelha.
— Você tá pensando em mudar de área?
— Não. Mas às vezes eu penso se escolhi o caminho certo. Se administração foi a escolha certa.
— E o que te faz duvidar?
Carlos pensou.
— Vejo gente de outras áreas que parece mais realizada. Gente que achou o que gosta de fazer.
— E você não gosta do que faz?
— Gosto. Mas não sei se é o que eu nasci pra fazer.
O conselheiro assentiu devagar.
— Teste vocacional não vai te responder isso.
— Não?
— Não. Teste vocacional é uma ferramenta de direcionamento pra quem não sabe por onde começar. Não é uma bússola existencial.
Carlos ficou em silêncio.
— O que você precisa — o conselheiro continuou — não é de um teste. É de clareza.
— Como eu consigo clareza?
— Observação. Durante uma semana, você anota em quais momentos do trabalho você se sente engajado e em quais você se sente drenado. No fim da semana, a gente olha junto.
Carlos pegou o bloco.
— Só isso?
— Só isso. Mas fazer isso com honestidade já é mais que a maioria faz.
Carlos escreveu no topo da página: "Engajado vs Drenado".
Ele guardou o bloco na mochila sentindo que aquela semana seria diferente.
*Continua em: 033 — Como falar com conselheiro sobre equilíbrio estudo e trabalho?*