Carlos chegou na sessão com o bloco cheio de anotações. Ele tinha passado a semana pesquisando cursos de pós-graduação. A tela do celular estava cheia de prints de sites de faculdade.
— Tô pensando em fazer uma pós — ele disse, antes mesmo de sentar.
O conselheiro de carreira sorriu.
— Senta primeiro. Depois a gente conversa.
Carlos sentou, mas o corpo ainda estava tenso.
— O que te levou a essa ideia? — o conselheiro perguntou.
— Aumento. Promoção. As vagas de gerente pedem pós.
— E você quer ser gerente?
— Sim.
— Por quê?
Carlos abriu a boca, mas a resposta não veio imediatamente.
— Porque... é o próximo passo.
O conselheiro balançou a cabeça devagar.
— Curso superior não é escada. Não é porque você sobe um degrau que o próximo vem automático.
— Então o que é?
— É ferramenta. Você não compra uma ferramenta sem saber o que vai construir.
O conselheiro pegou o bloco e desenhou três colunas: O QUE QUERO / O QUE PRECISO / COMO A PÓS AJUDA.
— Preenche isso durante a semana. Na próxima sessão a gente olha junto.
Carlos olhou para o desenho. Parecia simples. Mas ele sabia que não era.
— Tá bom — ele disse.
No caminho de volta, ele pensou que nunca tinha parado pra separar o que queria do que achava que precisava.
*Continua em: 029 — Como perguntar ao conselheiro sobre mercado de trabalho?*