Carlos estava no banco da praça, Toby deitado aos pés. O sol da tarde passava entre as folhas das árvores. Ele tinha o bloco do conselheiro de carreira no colo, aberto na página onde estava escrito: "Daqui 5 anos, onde você quer estar?"
Ele tinha respondido na hora. Gerente de Operações. Salário X. Casa própria.
Mas agora, lendo de novo, a resposta parecia automática.
— Isso é o que eu quero ou o que eu acho que devo querer? — ele perguntou em voz alta.
Toby abanou o rabo, sem entender.
Carlos lembrou da conversa com o conselheiro. Não foi uma sessão comum. O conselheiro não deu respostas. Fez perguntas.
— O que você faz no trabalho que te faz perder a noção do tempo? — ele tinha perguntado.
Carlos pensou. Não eram as planilhas. Não eram os relatórios. Era quando ele resolvia um problema que ninguém mais tinha resolvido.
— Desafios — ele respondeu.
— E o que você faz que drena sua energia?
— Reuniões longas. Burocracia.
O conselheiro anotou.
— Então o caminho certo não é o cargo certo. É o ambiente certo.
Carlos fechou o bloco. Toby se levantou, pronto para andar.
— Vamos — Carlos disse, levantando.
Ele caminhou com o cachorro, pensando que talvez a pergunta não era "onde quero estar". Era "como quero estar".
*Continua em: 025 — Como contratar um coach de carreira?*