O e-mail estava aberto na tela há quarenta minutos. Era de uma empresa de tecnologia, convidando para um processo seletivo. Cargo sênior. Salário maior. Mas era uma startup. Pequena. Instável.
Carlos leu o e-mail de novo.
— Você ainda tá olhando pra essa tela? — Luísa apareceu na porta do escritório com uma xícara de chá.
— Recebi um convite.
— Deixa eu ver.
Ela se aproximou, leu por cima do ombro.
— Parece bom.
— Parece. Mas é arriscado.
Luísa sentou na ponta da mesa.
— O que o conselheiro de carreira falou sobre risco?
Carlos lembrou da conversa. O conselheiro tinha desenhado um quadrado num papel: de um lado, o que ele tinha certeza. Do outro, o que ele não sabia.
— Ele disse que risco calculado não é aposta. É plano com margem de incerteza.
— E você calculou?
Carlos abriu a gaveta e pegou o bloco de notas. Tinhauma lista: salário atual, salário proposto, reserva de emergência, tempo de experiência, o que ele aprenderia na nova empresa.
— Calculei — ele disse.
— E o que diz os números?
Carlos olhou para a lista.
— Diz que cabe. Mas o medo ainda cabe junto.
Luísa colocou a mão no ombro dele.
— Medo sempre cabe. A pergunta é se o risco é maior do que ficar parado.
Carlos olhou para o e-mail de novo.
Fechou.
— Vou dormir e responder amanhã.
— Isso também é calcular — Luísa disse, e saiu.
*Continua em: 024 — Como avaliar se está no caminho certo na carreira?*