Como conversar com conselheiro de carreira?

Carlos

A sala era pequena, mas tinha uma janela grande que deixava o sol entrar. O conselheiro de carreira estava sentado de frente para Carlos, as mãos apoiadas nos joelhos, sem pressa.

— Me conta o que te trouxe aqui — ele disse.

Carlos passou a mão na nuca.

— Eu quero pedir aumento. Mas não sei por onde começar.

— Você já começou — o conselheiro sorriu. — Isso já é um passo.

Carlos riu sem graça.

— Parece que não.

— O que você já tentou?

Carlos pensou. Contou da mensagem pro Rodrigo, do print do holerite, da caneca de café fria enquanto todo mundo ia embora.

O conselheiro ouviu sem interromper. Quando Carlos terminou, ele inclinou o corpo para frente.

— Você tem razão em querer se preparar. O erro não é querer saber o que os outros ganham. O erro é achar que o argumento do outro serve pra você.

— Como assim?

— Cada pessoa tem uma história. O Rodrigo pode ter entrado com um salário diferente porque veio de outra empresa, com outra experiência. O que funciona pra ele não funciona pra você.

Carlos cruzou os braços.

— Então como eu descubro o que funciona pra mim?

O conselheiro pegou um bloco e uma caneta.

— A gente começa pelo que você entrega. Não pelo que os outros entregam.

Ele escreveu no topo da página: "O que Carlos entrega?"

— É por aí que a gente começa.

Carlos olhou para a palavra escrita. Parecia simples. Mas ele nunca tinha parado pra pensar nela.

*Continua em: 023 — Como assumir riscos calculados na carreira?*