O café ficava perto do metrô, pequeno, com cheiro de pão na chapa e café passado na hora. Luísa chegou antes, escolheu uma mesa perto da janela. A luz do fim de tarde entrava inclinada.
Quando ele entrou, ela viu a rosa na mão dele — uma vermelha, única, sem papel celofane. Clichê, talvez. Mas acertou em cheio.
Ele entregou a flor, sentou, e a primeira frase foi:
— Tô nervoso.
Ela riu. — Eu também.
A conversa fluiu tão natural que parecia continuação de todas as outras. Falaram do evento, do caderno, dos dois meses de amizade que tinham construído sem querer. Ele apoiou o cotovelo na mesa do mesmo jeito que apoiou no balcão do coffee break. Ela percebeu.
Duas horas depois, o café tinha esfriado. A xícara dela estava vazia, a dele quase intacta — igual da primeira vez.
Luísa olhou o copo e depois ele.
— Trágico — disse.
Ele demorou um segundo pra entender. Depois riu, aquele riso baixo que ela guardou do primeiro encontro. Não do café. Do coffee break.
Ela pensou: é isso. O começo de tudo.
E não precisou dizer em voz alta.